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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Crítica do Filme "Sherlock Holmes 2: O Jogo das Sombras"

Não é o Sherlock Holmes

Do ponto de vista estético, o filme merece muitos elogios. Cenas de ação feitas à noite foram bem constituídas, mas pecaram pelo excesso de closes e câmeras lentas. Tudo, no campo dos efeitos, foi muito bem executado, mas o excesso deles nas cenas de ação deixou as cenas de conversas ou de conjecturas (todas diurnas) relativamente cansativas. Concluindo esta parte: para atrair o grande público, prezaram pela ação e nos privaram da inteligência do detetive mais famoso de todos os tempos.

O vilão não convence.
Do ponto de vista "roteirístico", o filme é estranho. Parece estar recorrentemente "roubando" ideias dos contos de Conan Doyle, pois as imagens que o escritor criou não percorrem todo o filme, apenas são deixadas no decorrer do filme, mas um conto foi especialmente utilizado, "O problema final". Neste conto, está a expressão "Ele é o Napoleão do crime!" e a recorrência dos disfarces de Holmes [que foi algo muito utilizado para humor no filme, quando, na literatura, é algo que mostra a perícia e a prudência de Sherlock]. O vilão, que é o professor Moriarty, não pega, pois no original é um homem que está no nível de Holmes, segundo o próprio Holmes, mas este não funcionou, só preencheu o vazio da imagem de um vilão.

Do ponto de vista humorístico, o filme é muito bom, mas é instável. O humor do filme às vezes funciona, às vezes, não. Baseado nos disfarces de Holmes, nas expressões de Watson e no absurdo (que terrivelmente acaba igualando o Holmes de Conan Doyle a qualquer personagem de Albert Camus), o humor do filme é, como já disse, instável, pois nem sempre funciona, ou pior, nem sempre é bom. 


A trilha sonora é impecável. Parece ser uma coisa feita junto com o filme, mas está baseada em Mozart (inclui representação de Don Giovani), Franz Schubert e outros compositores clássicos. Pelo menos a boa música não desapareceu para agradar ao povo.

Muita ação, pouca contemplação.

Do ponto de vista pessoal, uma coisa fere o filme fatalmente: "Aquele personagem não é Sherlock Holmes." Os roteiristas usaram a imagem, a fama e a atmosfera do detetive mais famoso de todos os tempos, mas não usaram-no, não usaram o Sherlock de Conan Doyle, eles inventaram um novo Holmes. 

O Sherlock Holmes do filme fica entre o gay apaixonado e o amigo possessivo do Dr. Watson; este não tem aquela admiração pela inteligência de Iréne Adler, tem apenas uma rixa com ela; este é mais lutador que propriamente um detetive (ele corre, bate e cai mais do conjectura, planeja e pensa) ; este é mais louco que gênio; este é mais fantasioso do que propriamente lógico.

O filme é bom, mas não é um filme de Sherlock Holmes. Poderia ser qualquer outro, poderia ser o Hercule Poirot ou o Auguste Dupin. Mas, com certeza, não é, não é, o Sherlock Holmes que o gênio Sir Arthur Conan Doyle criou.

6 comentários:

  1. Concordo plenamente! Se pensar direitinho... Jack Chan poderia fazer o papel principal, muita ação e pouco Sherlock

    Alekrin

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    1. É... só não escolheram Jack Chan pra manter o estereótipo. Se formos analisar a fidelidade ao original, o filme nada menos que decepcionante.

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  2. ok,críticas á parte,alguém poderia responder qual o nome da música clássica que um dos capangas de Moriarty assovia antes de brigar com Holmes?

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    1. Se você está se referindo a uma cena bem no começo que se passa num beco... O capanga assovia a música "Primavera" das quatro estações de Vivaldi.

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  3. Não concordo. Não concordo nada. Li vários livros do Conan Doyle depois de assistir ao filme. O modo como Sherlock era descrito se encaixava perfeitamente na atuação do Robert.

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