Bem-Vindo ao Estação 018!


Seja bem-vindo ao "Estação 018"! Um blog pouco reticente, mesmo cheio destas reticências que compõem a existência. Que tenta ser poético, literário e revolucionário, mas acaba se rendendo à calmaria de alguns bons versos. Bem-vindo a uma faceta artística do caos... Embarque sem medo e com ânsia: "Estação 018, onde se fala da vida..."

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Daqui a um ano e meio...


Daqui a um ano e meio,
Eu vou melhorar,
Vou esquecer os receios,
Eu vou me mudar.

Daqui a um ano e meio,
Vou entrar na faculdade,
Vou alcançar meus anseios,
Vou dormir bem mais tarde.

Daqui a um ano e meio,
Eu vou ser bem mais feliz,
Vou atrás do que não veio,
Vou ter o que sempre quis.

Daqui a um ano e meio,
Eu vou ter novos amigos,
E, até onde eu creio,
Não vou esquecer os antigos.

Daqui a um ano e meio,
Minhas lágrimas se enxugarão,
E as coisas que eu odeio
Certamente se extinguirão.

Daqui a um ano e meio,
Passar-se-ão muitos dias,
E provavelmente estarei cheio
De tristezas e de alegrias.

Raul Cézar de Albuquerque
19/04/2011

Milho de Pipoca...

A transformação do milho duro em pipoca macia é uma bela analogia ao que devemos passar ao longo da nossa vida.
O milho de pipoca existe para tornar-se o que é após o estouro. Nós somos o milho de pipoca: Duros e impróprios para o consumo.
O poder do fogo é o único capaz de modificar o milho de pipoca. Só o fogo traz grandes transformações. Quem não passa pelo fogo não muda.
Mas o fogo sempre vem e traz uma situação anormal, algo que nos angustia. Sendo de dentro – pânico, medo, ansiedade e depressão – ou de fora – perdas, mortes, decepções.
Quando o calor fica insuportável, pensamos que vamos morrer, mas a transformação vem quando menos esperamos. O fogo acaba por fazer a mudança: PUF! – A situação incômoda faz sentido e a transformação vem como um alívio.
Mas sempre há os “piruás”, os milhos de pipoca que não mudam por causa do medo ou da prepotência... Coitadas... Nunca se tornarão as flores brancas e macias aptas ao consumo... Seu destino é o lixo.

Nem sempre o que parece é!

Texto Bíblico: Êxodo 32.1-6

"Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo arrancou os pendentes de ouro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão. E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito. E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao SENHOR. E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar"

O que aprendemos com o texto:

I) Nem sempre o nosso tempo é o tempo de Deus: O povo hebreu não esperou o agir de Deus. Você tem esperado o tempo e a resposta de Deus? Quando as escolhas se põem a nossa frente, é importante esperar o aval do Senhor. Caso contrário, estaremos seguindo o caminho sem Ele, estaremos assumindo os riscos por nós mesmos, sem a ajuda do nosso Advogado.

II) Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus: O povo pressionou Arão para que ele criasse um bezerro de ouro. Você tem ouvido ao Senhor ou o povo? Que opinião tem designado suas ações? A palavra de seus amigos têm se sobreposto à Palavra do Senhor? Quando as escolhas se põem a nossa frente, é importante ouvir a voz do Senhor. Caso contrário, estaremos sendo imprudentes, irresponsáveis e sentindo-se auto-suficientes.

III) Nem sempre o que parece ser “de Deus” realmente o é: O bezerro parecia ser “Deus”, mas não era. Como você tem diferenciado as coisas divinas das profanas? Você tem sido irreverente com o que realmente é “de Deus”? Quando as escolhas se põem a nossa frente, é importante saber se aquilo é do Senhor. Caso contrário, estaremos correndo risco de reverenciar algo profano e desvalorizar algo divino.

IV) Nem sempre a alegria é resultado das bênçãos: Ao fim da fabricação do bezerro, o povo se alegrou e fez uma grande festa... Aquela alegria parecia ser uma confirmação à satisfação do Senhor em ver aquilo, mas não era. Você tem julgado o resultado das coisas pela alegria sentida? A sua alegria tem sido baseada no Senhor? Quando as escolhas se põem a nossa frente e escolhemos alguma opção, é importante saber a alegria sentida é uma resposta do Senhor. Caso contrário, estaremos correndo risco de satisfazermo-nos com algo errado.

Agente de Transformação...

“Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra.” II Tm 2.11


Muitas vezes queremos mudar as coisas que costumamos considerar erradas... mas não prestamos a devida atenção aos nossos erros. Queremos transformar as coisas para melhor, mas esquecemo-nos de nos transformar. O texto acima indica a importância da santidade, ou melhor, a importância da transformação.

Deus lhe ajudará até onde ele achar viável, mas se você não fizer sua parte nada será transformado.

Lembre-se:
Só os santos são capazes de santificar; Só transformados são capazes de transformar.

A Importância do Perdão...

Um menino chamado Lucas entra em casa, depois da escola, batendo a porta com força. Seu pai estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, vê o ato do menino e o chama para conversar.

Lucas tinha oito anos de idade e acompanhava o pai desconfiadamente, mas antes que o pai dissesse alguma coisa, o menino fala:
- Pai, estou com muita raiva. O Zeca não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo tudo de ruim para ele.
O pai do menino que era um homem muito simples demonstrou ser muito sábio e continuou a ouvir o menino reclamar:
- O Zeca me humilhou na frente de todo mundo. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escutou tudo calado até chegar num abrigo onde havia um saco cheio de carvão. O pai mostrou o saco de carvão aberto e falou:
- Lucas, faça de conta que aquela camisa branca no varal é o Zeca e jogue pedaços de carvão contra a camisa como se fossem seus maus pensamentos. E jogue todos os pedaços, pois depois voltarei.
Lucas achou a brincadeira muito legal e cumpriu a ordem do pai com afinco. Ao final da atividade, chamou o pai que indagou:
- Filho, como você está se sentindo agora?
- Estou cansado, mas estou alegre, pois acertei muitos pedaços de carvão na camisa!
- Entre em casa, vou lhe mostrar uma coisa...
Os dois entraram na casa e o pai colocou Lucas em frente ao espelho e disse:
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou, mas olhe como você está sujo!
O mal que desejamos aos outros acaba ocorrendo a nós. Por mais que possamos atrapalhar a vida dos outros, a maldade sempre nos afetará.

CUIDADO!
Seus pensamentos se tornam palavras; Suas palavras se tornam ações; Suas ações se tornam hábitos; Seus hábitos moldam seu caráter; Seu caráter determina seu futuro...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ainda há muros...

No dia 09 de novembro de 1889, caiu o muro de Berlim. Esse fato é lembrado até hoje como um fato único. Alguns historiadores indicam que a Idade Contemporânea acabou ali, estamos numa nova fase. Mas... Será que acabou? Não, ainda há muros.


Os muros não falam, os muros gritam! Eles dividem etnias, religiões, povos, classes sociais, economias e ideologias.

Ainda há um muro entre o rico país dos Estados Unidos e o pobre México. Ele existe desde 2006, quando foi sancionada – pelo presidente George W. Bush – uma lei que ordenava a construção de uma barreira física entre os dois países. O muro deve ter 1.100 km e custar algo em torno de US$ 6 bilhões. A ONU, os ecologistas, os cientistas políticos, todos foram contra, mas o projeto foi posto em prática. A pressão está sobre – o Nobel da Paz – Barack Obama para parar as obras e destruir o que já foi feito.

Ainda há um muro entre a Espanha e o Marrocos ou, pra falar a verdade, entre a rica e cristã Europa e a pobre e islâmica África. A construção começou em 2000 nas cidades de Ceuta e Melilla, cidades espanholas cravadas no norte do continente africano, que são a entrada africana ao Estreito de Gibraltar – 16 km que separam a Europa da África. A posição da Espanha faz com que ela seja o destino de 25% de todos os imigrantes ilegais que vão à Europa. O muro começou tímido em Ceuta, mas hoje tem oito metros de altura, 11 km de vala contínua, conta com satélites próprios, iluminação reforçada e armadilhas na barreira... Dando gastos de dezenas de milhões de euros para o governo espanhol.

Ainda há um muro entre Israel e Cisjordânia, entre judeus e árabes, entre ricos e pobres. Depois de muitos problemas e muitas discussões sem resultado entre judeus e árabes, a ideia de construir um muro seduziu o governo israelense. Em 2002, o muro começou a ser construído, a barreira deve ter 721 km de comprimento, em 2004, foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça, mas o governo de Israel continuou construindo o muro.

Ainda há um muro contaminado pelo mau cheiro da Guerra Fria que divide a Coreia do Sul da Coreia do Norte, os capitalistas dos socialistas. As conferências de Yalta e Potsdam indicaram que o paralelo 38° seria o divisor das duas nações, mas nenhuma conferência conseguiu estabelecer a paz nessa região. O muro divide dois mundos diferentes: o norte é pobre, comunista, subdesenvolvido, ditatorial e fechado, já o sul é rico, capitalista, desenvolvido, liberal e economicamente aberto.

AINDA HÁ MUROS!

Paganização do Cristianismo...

Depois de muita perseguição, o Imperador Constantino se converteu e a situação mudou para a Igreja, ela passou a influenciar todas as ações do Império. Ela mudou muitas coisas:


1. Restauração dos templos cristãos: Os templos destruídos e queimados nos governos dos outros imperadores.
2. Os obreiros e pastores cristãos foram isentos dos impostos.
3. O domingo (primeiro dia da semana) foi declarado dia de descanso e adoração por Constantino.
4. A crucificação foi abolida no Império Romano.
5. O infanticídio foi proibido no Império: Antes era comum que os pais matassem os filhos que não fossem do seu agrado, tais crianças eram recolhidas por outras pessoas que as criavam e depois as vendiam como escravas.
6. A escravidão foi sendo extinta gradativamente: Se todos eram iguais, por que terem direitos diferentes?

Ficou fácil ser cristão... Logo, as pessoas queriam ir às igrejas, mas não se convertiam... E não deu certo, a Igreja tornou-se uma máquina política...

A inserção de falsos cristãos na igreja trouxe efeitos desastrosos nos cultos e nas doutrinas cristãs... As igrejas passaram a ser ricamente ornamentadas e grandemente ricas, mas espiritualmente frias. Os cultos começaram a ser contaminados por hábitos pagãos...

1. Em 405 d.C, os ídolos do paganismo entraram nas igrejas... A Igreja Católica Apostólica Romana regularizou o uso de imagens de santos e mártires do passado para serem adorados.
2. A adoração a Maria foi instituída para substituir a adoração às deusas pagãs Vênus e Diana.
3. O pastor passou a ser chamado de “sacerdote” que era uma nomenclatura pagã e passou a ser considerado um mediador entre Deus e o povo, enquanto a Bíblia diz que ele é apenas um instrumento d’Ele para orientar seu povo... O único mediador entre Deus e os homens é Cristo (nem homens, nem santos, muitos menos imagens), todos nós temos livre acesso a Deus por Cristo Jesus.
4. O culto aos mortos, originalmente pagãos, foi regularizado pela Igreja na forma do Dia de Finados.
5. O Purgatório foi inventado para evitar falar do inferno nos cultos frios da Igreja Católica, além de estimular a compra de indulgências.
6. A falácia da virgindade eterna de Maria que não tem base bíblica.
7. A ridícula ideia da infalibilidade do Santo Padre.

E a Igreja Católica tanto sabia que estava ridiculamente errada que proibiu o acesso do povo à Bíblia. Ela tornou-se uma máquina política de opressão, no período em que ela governou fez atrocidades e criou a Inquisição que fez com que essa época se denominasse “Idade das Trevas”. Mas Deus nunca fica sem testemunhas...

Gustave Flaubert...


Gustave Flaubert
No dia 12 de dezembro de 1821, nascia mais um burguês na França pós-revolucionária, nascia Gustave Flaubert, – filho de um médico muito rico da cidade de Rouen. Esse burguês francês foi considerado o “açougueiro do Romantismo”, pois foi o iniciador do Realismo para alguns e um grande renovador deste movimento para outros que consideram Honoré de Balzac foi o verdadeiro fundador do movimento realista.


Flaubert é uma lenda com contradições incompreensíveis como ter uma vida totalmente burguesa – ele nunca trabalhou – e criticar a burguesia em suas obras. Ele se rebelou contra os conceitos burgueses quando tinha 18 anos – foi expulso da escola por mau comportamento –, mas nunca se rebelou contra a riqueza dos burgueses – visto que morreu sem saber o que era trabalho. Ele dizia: “Seja metódico e organizado em sua vida como um burguês, para poder ser violento e original em sua obra”.

Gustave viajava e escrevia por prazer, por isso publicava um livro a cada seis anos em busca da “palavra certa” (ou, em francês, “le seul mot juste”). Mas, de todas as suas obras, destaca-se a mais realista: Madame Bovary. A história dolorosa que pintou um retrato fiel da burguesia imperfeita e estratificada da França contando a saga de Emma Bovary, uma mulher casada que – ao ler obras do Romantismo – se inspirou a buscar o “amor”, buscando uma vida amorosa agitada e instigante, diferente da que ela vivia ao lado do seu marido médico que era totalmente dedicado a ela, mas era tedioso e metódico. Nessa busca, ela infringe muito conceitos morais da sociedade da época e acaba se suicidando, e Flaubert não demonstra opinião, deixando o julgamento para o leitor – provavelmente, por isso é que a burguesia da época se sentiu tão ultrajada.

Em 8 de maio de 1880, morreu o “burguesófobo burguês”, Gustave Flaubert morreu pobre, graças ao estilo de vida extravagante que adotou após a morte de sua mãe, mas deixou seu nome escrito na história da Literatura.

Insignificantes...

Achamos que escrevemos a história,
Os deterministas diriam o contrário,
Pois indo atrás de toda essa glória,
Os homens acabaram com o passado.

Mesmo com o avanço do saber
E com toda essa evolução
Ainda nada podemos fazer
Se houver um furacão.

O que é a tecnologia japonesa
E a toda sua precisão,
Perto da potência e da grandeza
De um terremoto no Japão?

Conhecendo o poder
Um adormecido vulcão,
Não podemos conter
Nem provocar uma erupção.

Achamo-nos os senhores da terra,
Achamo-nos muito interessantes,
Somos os criadores das guerras,
Mas somos simples e insignificantes...

A natureza se revolta e não há nada a fazer,
Só refletir depois sobre aquele momento,
Blaise Pascal estava certíssimo ao dizer
Que o nosso único mérito é o pensamento.

Raul Cézar de Albuquerque
22/03 – 08/04/2011

Quereres...

Eu queria esquecer os meus erros,
Eu queria tentar não refazê-los.
Eu queria apagar minhas tristezas,
Eu queria demolir minhas certezas.

Eu queria desconsiderar meus acertos,
Eu queria recomeçar tudo do começo.
Eu queria não chorar e ter muita paz,
Ou talvez, ser feliz e chorar ainda mais.

Eu queria esquecer meus versos,
Principalmente, os controversos.
Eu queria esquecer meus lamentos
Dos melhores e piores momentos.

Eu queria viver sem compromissos,
Mas sem nunca me parecer omisso.
Eu queria ser perfeito, eterno já não sei,
O tempo me deu os sorrisos que encontrei.

Eu queria não ser, eu queria inexistir,
E diante dessa vida, eu queria resistir.
Resistir às coisas que me disseram ser erradas,
Resistir às loucuras que me ocorrem nessa estrada.

Eu queria renegar minhas frases e palavras,
E, junto com meus versos, reduzi-los a nada.
Eu queria esquecer, deletar, apagar meus adeus,
Mas não posso fazê-lo, porque eles são meus.

Raul Cézar de Albuquerque
29/03/2011