Bem-Vindo ao Estação 018!


Seja bem-vindo ao "Estação 018"! Um blog pouco reticente, mesmo cheio destas reticências que compõem a existência. Que tenta ser poético, literário e revolucionário, mas acaba se rendendo à calmaria de alguns bons versos. Bem-vindo a uma faceta artística do caos... Embarque sem medo e com ânsia: "Estação 018, onde se fala da vida..."

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Medo de não ser...



Não estava triste, nem depressivo, mas comecei a pensar nos meus medos (por um motivo que realmente desconheço). O poema veio quando pensei em "sempre tive medo de não ser feliz." Gostei do poema... Medo de não ser...



Eu sempre tive medo de não ser feliz.
De morrer sem ter vivido.
De não experimentar do que sempre quis.
De ser eternamente impedido.
Impedido de fazer de mim um aprendiz.
Tive medo de ter me destruído.

Eu sempre tive medo de não ser eu.
De me deixar levar pelas influências.
De confiar no que a vida me prometeu.
De me perder entre as consciências.

Eu sempre tive medo de não ser claro.
De estar perdido entre a Poesia e a Incerteza.
Pois perder-se neste terreno não é algo raro.
Pois, neste terreno, não estão a Arte nem a Beleza.

Eu sempre tive medo de não ser.
Eu tenho medo de apenas existir.
Mas meu maior medo é vir a morrer
Sem viver, sem tocar, sem sentir.

Raul Cézar de Albuquerque
28/01/2012

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Poesia de Emily Dickinson


“Apesar do meu parco renome,
 Minha Arte, um Dia de Verão – Teve mecenas –
 Na primeira vez – foi uma Rainha –
 E depois – foi uma Borboleta –”
                               
Emily Dickinson
Os versos citados acima são da maior poetisa dos Estados Unidos no século XIX, Emily Dickinson.
Ela nasceu em 10 de dezembro de 1830, em Amherst, Massachussets, EUA. E morreu em 15 de maio de 1886, no mesmo lugar, na mesma casa. Aparentemente, uma típica mulher estadunidense do século XIX.
Depois da morte de Emily, sua irmã mais nova, Lavinia, encontrou um tesouro deixado por ela em seu quarto: 1775 poemas. O primeiro volume de poemas de Dickinson foi publicado em 1891, depois vieram mais dois.
Sobre a vida de Emily, sabe-se muito pouco. Era uma figura tão reclusa que ficou conhecida nos Estados Unidos como “a freira de Amherst”. Sabe-se que tinha um pai muito rigoroso que tratava os filhos com austeridade e controle, o que influenciou muito a delicada e bucólica poesia de Dickinson. O excessivo controle do pai sobre Emily acabou tornando-a uma mulher infantil, a partir dos vinte anos, só usou branco, depois dos trinta, consolidou sua clausura, não saindo de casa nem para o enterro do próprio pai. Esta casa é hoje um museu em homenagem a Emily e um local de peregrinação para vários amantes da poesia.
Os versos de Emily Dickinson com sua linguagem cotidiana indicam que ela passou por inúmeras fases depressivas.

“Eu perdi tudo por duas vezes,
E as perdas foram ao chão.
Por duas vezes eu fui mendiga
Diante das portas de Deus.”

Com sua pontuação incomum, descreveu sua vontade de liberdade e suas idealizações do além-casa.

“Há uma Zona cujos plácidos Anos,
Nenhum Solstício interrompe –
Cujo Sol constrói um perpétuo Meio-dia
Cujas perfeitas Estações aguardam –

Cujo Verão em Verões se instala, até
Que Séculos de Junho
E Séculos de Agosto cessem
E a Consciência – É Meio-dia.”

Com seu lirismo introspectivo, ela foi pouco a pouco se mostrando através de seus versos.

“Doces horas pereceram aqui;
Este é um importante recinto;
Dentro deste lugar esperanças já brincaram, –
Agora só sombras na tumba.”

Até hoje, alguns de seus poemas permanecem criptografados. Pois, complexos, abrem possibilidade para várias interpretações.

“Uma Extensão de Prata
Com Cordas de Areia
Para manter esta que está se apagando
A Estrada chamada Terra.”

Sem esquecer o tema central da Poesia universal, o Amor. A “Freira de Amherst” não ficou isenta dos batimentos cardíacos levemente acelerados.

“Eu não estaria incomodada – Muralhas –
Fosse o Universo – Uma Rocha –
E distante Eu ouvisse sua prateada Voz
Chamando do outro lado da Pedra –

Eu faria um túnel – até que minha Ranhura
Chegasse de súbito até ele –
Então minha face teria sua Recompensa –
Olhar nos seus Olhos –“

Nota: Versos de Emily Dickinson traduzidos e adaptados por Raul Cézar de Albuquerque.

Imagem Letrada #17


Imagem Letrada #16


Decadência...


O poema fluiu. Isso resume bem o sentimento do poeta em relação ao poema. É muito raro que o poema flua. Este fluiu. Espero que gostem...

Eu vi muitos bêbados caídos.
Eu vi lágrimas derramadas em Segredo.
Eu vi muitos amores traídos.
Eu vi a Vida ser vencida pelo Medo.

Eu vi os sábios em seu Silenciar.
Eu vi uma multidão de justos corrompidos.
Eu vi muitos tolos em seu Gritar.
Eu vi muitos calados – satisfeitos – iludidos.

Eu vi a Pureza cair no Esquecimento.
Eu vi mulheres e homens entregando-se.
Eu vi o Sentir ser vencido pelo Sentimento.
Eu vi inúmeros Virtuosos calando-se.

Eu vi seres amorosos serem esquecidos.
Eu vi o choro silencioso dos justos.
Eu vi a Alegria dos impuros em seus estampidos.
Eu vi a vitória da maldade a altos custos.

Eu vi a Morte visitar casas sem intervalo.
Eu vi a Tristeza invadindo vidas.
Eu vi a fraca Fortaleza e o seu abalo.
Eu vi a Liberdade abrindo feridas.

Eu vi a queda da Moral, como vi cair a chuva.
Eu vi Valores indo, em queda livre, ao chão.
Eu vi o estado terminal da Literatura.
Eu vi a boa música na sua mais clara depressão.

Eu vi a Regressão – Darwin estava errado.
Eu vi a Verdade ser vencida pela Ciência.
Eu vi o Direito à Vida ser brutalmente violado.
Eu vi a mais humana e notável Decadência.

Raul Cézar de Albuquerque
20-21/01/2012



Imagem Letrada #15


Escrever como se fala...


Acho que o poema não precisa de introdução. Ele é auto-explicativo. Escrever como se fala...



Dizem que é um problema meu
Não escrever como geralmente falo.
Dizem que parece não ser eu.
Pois, para escrever, eu me calo.

Calo-me para não impregnar a Poesia
Com este odor de existência,
Ou pior, semiexistência, eu diria.
A Poesia merece reverência.

As palavras que falo estão condenadas
Ao triunfo do Finito sobre o Eterno.
Mas as que escrevo serão imortalizadas
Pelo extremo e perpétuo Inverno.

Este Inverno de frieza viva.
Este solstício tão agradável
Que me faz uma pessoa cativa
Deste calor tão relevável.

As minhas palavras são impuras.
Mas as do dicionário estão purificadas pela Eternidade.
Elas vêm desde Homero, elas são duras,
Elas são pesadas, maciças, são palavras de verdade.

As palavras escritas além dos fonemas.
As letras, heranças latinas, além dos grunhidos.
A Poesia muito, mas muito além dos poemas.
Os versos vividos muito além dos sentidos.

Raul Cézar de Albuquerque
 20/01/2012

Imagem Letrada #14


Imagem Letrada #13