Bem-Vindo ao Estação 018!


Seja bem-vindo ao "Estação 018"! Um blog pouco reticente, mesmo cheio destas reticências que compõem a existência. Que tenta ser poético, literário e revolucionário, mas acaba se rendendo à calmaria de alguns bons versos. Bem-vindo a uma faceta artística do caos... Embarque sem medo e com ânsia: "Estação 018, onde se fala da vida..."

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A visão daqui do pier...

Numa viagem da escola, eu tirei esta foto!
Nesse pier, eu olhei para todos os lados e disse ao meu amigo:
_ Daqui tudo é tão distante! Guarda essa frase!
É... não sei se ele guardou, mas eu guardei e fiz este poema sobre aquele momento... inesquecível... único... indelével... inolvidável... A visão daqui do píer:

Daqui do píer tudo parece muito distante.
A natureza parece estar num lugar só seu,
As aves parecem que vão bem mais adiante
E os problemas já não parecem ser meus.

Daqui do píer tudo parece muito pequeno.
Grandes árvores parecem pontos esverdeados,
Poderosas aves parecem poder bem menos
E os problemas parecem agora minimizados.

Daqui do píer tudo parece tão encantador.
As árvores parecem dispostas planejadamente,
As aves voam como tivessem um planador
E a minha vida parece que vai seguir em frente.

Acho que tudo está bem correlacionado:
Quanto mais distante, menor algo parecerá.
Distante, algo parece ficar embelezado,
Pois seu conjunto de imperfeições desaparecerá.

Isso também serve para as pessoas:
de longe, todas parecem bem-comportadas.
Parecem humildes, solícitas e boas,
Parecem superiores, belas e controladas.

É só sair do píer e se aproximar:
Observar a bagunça que é a natureza.
O desespero das aves tentando voar.
Ver que seus problemas continuam lá.
Do píer tudo parece distante, menos a beleza.

Raul Cézar de Albuquerque
23/11/2011

Só pra gente ser feliz...

Não estou gostando desta minha fase romântica... melosa. Tudo que eu odiava em Shakespeare e outros autores que me deixam com diabetes está me acometendo de modo estranho. Um mais forte em termos de melosidade adolescente... Só pra gente ser feliz:

Diz que me ama sinceramente
[Não se esquece de dizer com sinceridade].
Diz que me quer daqui pra frente.
Diz que me quer contigo pra toda a eternidade.

Fala do teu amor por mim
E me faz mais feliz que o mais feliz dos humanos.
Diz que me ama, me diz que sim,
Para que ao teu lado eu passe todos os meus anos.

Esqueça as palavras belas e pomposas.
Esqueça o vocabulário rebuscado.
Porque eu não me esquecerei das rosas,
Quando pedir para viver ao teu lado.

Por amor, não se esqueça de dizer que me ama!
Só pra eu ter certeza de que sou feliz,
Pra eu poder dormir, quando deitar na cama,
Pra saber que a felicidade não fugiu por um triz.

Faz-me feliz com este teu almejado amor.
Faz-me só teu, além de teu amigo.
Diz que ama este pequeno amador,
Não me faça feliz. Seja feliz comigo!

Raul Cézar de Albuquerque
22/11/2011

Tempo de Abstinências...

Estava lendo um texto de uma amiga e lá vi algo que me chamou a atenção...
"Entende? Não é impossível me arrancar um sorriso, um brilho no olhar, eu só tô numa fase de abstinências, [...]" Ketilly Rayane
Isso ficou martelando em minha cabeça até eu decidir escrever sobre isso. Acabei por gostar do poema... Tempo de Abstinências:

Nós sempre estamos precisando
De um tempo de abstinências.
Algo para ver o que está faltando,
De quê é a nossa carência.

Um período intrapessoal.
Um período para se entender.
Um momento essencial.
De você e para você, só você.

Um tempo de poucas risadas,
Mas de muita reflexão.
Onde a mente não fica parada,
Muito menos o coração.

É o tempo de procurar o porquê
De tanta tristeza e inquietação.
É o tempo de tentar entender
Tudo o que atormenta seu coração.

É a hora de remexer as lembranças,
As mais antigas, secas e dolorosas,
De ver para onde foram as esperanças
E por que morreram aquelas rosas,
Aquelas de quando se era criança
E a vida era um pouco mais generosa.

Um tempo de frases cabais.
Um tempo sem reticências.
Um tempo de pontos finais.
Um tempo de abstinências.

Raul Cézar de Albuquerque
21/11/2011

Sinta quem lê!

 

Depois do meu último poema foi bombardeado  por pessoas que realmente achavam que eu estava depressivo ou triste demais ou sofrendo por amor (pessoas que nunca ouviram falar em "eu-lírico"). E nada melhor para acabar com discórdias que um poema do professor eterno Fernando Pessoa... Isto:

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A Decepção "Augusto Cury"

Augusto Cury... Já foi um bom escritor... é... Já foi. Não é mais...
Perdeu-se no comércio o gênio anteriormente citado neste mesmo blog. 
O homem cheio de ideais e profundidade psicológica já não existe mais. 
O autor de "O código da inteligência" transformou-se num autorzinho de mesa de indicação de livraria.

Augusto Psicólogo-Famoso Cury tomou o lugar de um escritor que tinha futuro. 
Aquele Augusto Cury tornou-se um autor comercial demais, simples demais e... paupérrimo em termos de base literária... Todos os seus livros tem a mesma base e seguem a mesma ideia... 

Seus romancinhos recentes são tomados de um mediocridade que me enojam... Sua fama atual deve-se, não à simplicidade, mas à pobreza de suas teorias... 

Ele tirou o leitor do labirinto, que é a boa obra, e pôs o leitor do lado de fora... Já não é arte, é comercialidade... Não há complexidade... 
Sinto muito, mas o Brasil perdeu um ótimo escritor. 

Meus pêsames à literatura brasileira.
Meus pêsames aos brasileiros que gostam da boa... da BOA literatura.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Só pra entender...

Estou meio depressivo, estou achando isso depois de ler este poema e não acreditar que havia tanta tristeza dentro de mim para ser externada:

Eu quero sentir a dor da noite densa
quando ferida pelo primeiro raio de sol
e a que a tarde extensa e intensa
demonstra através do arrebol.

Quero sentir a dor da rosa
quando abusada pelo beija-flor
e a da tranquilidade tão gloriosa
quando interrompida por um amor.

Eu quero apenas sentir a dor do mar 
que não pode controlar suas ondas
e o desespero do caminhante ao iniciar
a caminhada sem saber se será longa.

Eu quero sentir a dor pungente
que em tardes negras faz o céu chorar
e lembrar aquilo que faz a gente
se entristecer só de pensar.

Eu quero sentir tudo até a dor maior
eu quero sentir toda essa dor
só pra entender que não existe nada pior
que a dor me traz este amor.

Raul Cézar de Albuquerque
17/11/2011

Milagres Notáveis...



Após o vestibular, passei a olhar para tudo com um tom mais poético... O poema que vem a seguir é fruto disso:

Queres ser feliz, caro leitor?
Acho que todos querem alcançar a felicidade,
Pois sem este pleno amor,
Amor pela vida, não há sonhos nem liberdade.

Queres realmente ser feliz, caro leitor?
Então, vai até a janela e vê.
Vê a felicidade que nasce junto à flor.
A felicidade de simplesmente ser.

A felicidade que está em existir.
Que não depende do salário ou do clima.
Que não consegue pensar só em si.
Que não liga se está embaixo ou acima.

É a felicidade do cotidiano.
A mais pura e eficaz felicidade.
Aquela felicidade sem dano.
A felicidade do milagre.

Do milagre do primeiro raio de luz
Que fura a noite para o alvorecer.
Dos lírios do campo que nascem nus,
Mas embelezam-se a cada amanhecer.

Dos pássaros que executam sinfonias.
Das belas crianças que acordam lentamente.
Das pessoas que acumulam alegrias.
Dos que estariam tristes, mas estão contentes.

O milagre do sol que fulge ao meio-dia
E das pessoas que correm apressadas,
Sem esquecer a árvore que, nada fugidia,
Assim como a verdade, permanece parada.

O milagre do arrebol que toma a imensidão
Bem no finalzinho da tarde.
Ou, em última instância, o milagre de um coração
Que antes só batia e agora, arde.

Raul Cézar de Albuquerque
11/11/2011