Bem-Vindo ao Estação 018!


Seja bem-vindo ao "Estação 018"! Um blog pouco reticente, mesmo cheio destas reticências que compõem a existência. Que tenta ser poético, literário e revolucionário, mas acaba se rendendo à calmaria de alguns bons versos. Bem-vindo a uma faceta artística do caos... Embarque sem medo e com ânsia: "Estação 018, onde se fala da vida..."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os Grandes Amores da Literatura...


Os amores da literatura são marcantes, belos e, aparentemente, perfeitos. Os romances de todas as épocas tentaram provar que o amor poderia resistir a tudo e que o amor era possível. Mas a vida de alguns escritores não indica a mesma verdade, vejamos alguns casos de escritores e suas histórias de amor nem tão perfeitas:


Dante Alighieri, um italiano que revolucionou a poesia em sua língua e, em 1308 escreveu o maior poema épico da Idade Media, A Divina Comédia, além de escrever outros poemas como Vida Nova e Banquete. Este homem que disse que “Orgulho, inveja e avareza põem fogo nos corações dos homens” tinha um coração que ardia por uma mulher chamada Beatriz Portinari e a quem ele devotou toda a sua obra. Mas, Quem era Beatriz? Como eles se conheceram? Eram casados? Eram amantes? Muitas são as perguntas e surpreendentes são as respostas, então vamos começar pelo começo:
Dante conheceu Beatriz quando tinha 9 anos, e alegou que foi amor à primeira vista, e ele só a viu novamente no dia de seu enterro, à propósito, ela morreu aos 24 anos. Depois da morte dela, Dante casou-se com Gemma di Manetto Donati, mas a sua obra deixa claro que ele não esqueceu Beatriz, pois sua imagem se faz presente em todas as suas obras.

Francesco Petrarca, um italiano que é considerado o Pai do Humanismo Europeu, já que dissertou sobre a grandeza do potencial humano e justificou filosoficamente a busca por conquistas individuais. Petrarca foi o autor de O meu livro secreto – que falava dos anseios humanos –, Triunfos – que é um testamento espiritual sob forma de diálogo entre Petrarca e Santo Agostinho – e Cancioneiro – que é uma intensa e vibrante declaração de amor à Laura, em forma de sonetos. Mas, Quem era Laura? Como eles se conheceram? Eram casados? Eram amantes? Muitas são as perguntas e surpreendentes são as respostas, então vamos começar pelo começo:
Pouco se sabe sobre Laura, mas o que se sabe já é suficiente para nos deixar estarrecidos. Provavelmente, Francesco e Laura se conheceram quando ainda eram crianças, mas poucos foram os encontros, até que Laura se casou com outro homem e Petrarca se devotou ao alpinismo e à religiosidade.

William Shakespeare, um inglês que se mostrou um dramaturgo único e um poeta vibrante. Shakespeare é o autor de grandes obras que venceram a barreira do tempo, como Romeu e Julieta – uma ode à atemporalidade e à imortalidade do amor –, ou Medida por Medida – que revelou sua compreensão das mais extremas situações humanas –, ou Hamlet – tragédia que mudou a concepção de amor e de morte –, ou Sonho de uma noite de verão – obra com um texto cômico, mas com tons de drama. Mas uma obra um pouco ofuscada pela grandeza da obra de Shakespeare mostra a beleza do seu amor por uma moça que a História desconhece, Sonetos fala do amor do jovem Shakespeare por Dark Lady, uma jovem que provavelmente foi sua amante.

A história dos amores dos escritores chega a ser mais interessante que as de suas obras

Esquecimentos...


 
À medida que o tempo passa, a vida passa, tudo passa,
Memórias se esvaem e as lembranças ficam escassas.

A escola obscurece as brincadeiras tipicamente familiares,
O trabalho apaga as memórias originalmente escolares,
O casamento coloca em segundo plano a profissão,
O cotidiano deleta as lembranças de uma célebre união,
O dia-a-dia acaba por tirar o afeto do coração
E com todo o esquecimento, o casamento vira obrigação.

A vida vai acabando e vai apagando os longínquos dias de glória,
Fica cada vez mais fácil esquecer-se de quem marcou sua história.

Esses são os inevitáveis, repetitivos e constrangedores esquecimentos
Que tiram uma grande e boa parte da vida: os bons momentos.

Raul Cézar de Albuquerque
26-27/12/2010

Observações...

Neste poema tentei criar um novo tipo de poema que insira no poema algo além do que está escrito, espero que vocês gostem:

Observações...

Há mais de um ano me prendi
No meu quarto com a solidão,
Desde a data em que me rendi
Não houve paz no meu coração.

A escuridão parece incômoda (meus anseios).
Uma única luz entra pela fresta (meus amigos).
Nunca ouso abrir a janela (meus receios).
Eu desejo que a luz entre aqui (meus pedidos).

Tenho vontade de abrir a janela, (vontade).
Mas tenho medo do que vou ver, (incerteza).
Será que tudo mudou? (medo da realidade).
A minha situação me transtorna, (tristeza).

Vou abrir a porta sombria, (minha decisão)
Abri a porta e vi o mundo (mundo de verdade)
Enfim volto ao mundo real, (recobro a visão)
E, agora, posso viver e ser feliz, (liberdade).

Raul Cézar de Albuquerque
30/11/2010

Incontáveis Vezes...


Nesse poema tentei me questionar de modo que só houveram perguntas no poema, perguntas essas que ainda me perseguem:

Incontáveis Vezes...

Repetitivas vezes, eu fiz coisas inexplicáveis,
Coisas que nem eu mesmo posso explicar,
Coisas incompreensíveis, atos reprováveis,
Tantas vezes que eu não consigo me lembrar.

Quantas vezes eu fechei os olhos sem dormir?
Quantas vezes eu sorri somente por educação?
Quantas vezes eu não esperei o que estava por vir?
Quantas vezes eu falei “sim”, no lugar de dizer “não”?

Quantas vezes eu me privei de coisas por exagero?
Quantas vezes eu fui rígido, insensato e intolerante?
Quantas vezes eu cometi erros por puro desespero?
Quantas vezes eu fui tolo com o que vinha adiante?

Quantas vezes eu chorei lendo textos eu escrevi?
Quantas vezes eu me flagrei olhando para trás?
Quantas vezes eu pensei em lugares que nunca vi?
Quantas e quantas vezes?... Eu nem lembro mais!

Raul Cézar de Albuquerque
19-20/12/2010

Quem é o Homem?

Quem é o homem, afinal? Pode ser esta uma das perguntas mais repetidas na filosofia, mas quem somos nós?


Só há consenso em uma consideração, Temos uma essência... e essência é aquilo que faz cada coisa ser o que é, é o que diferencia cada coisa das outras coisas.

Mas podemos definir o homem de várias formas em vários âmbitos por vários pontos de vista, vejamos alguns:

O Homem como um ser material: O Homem é um animal, e como animal, ele tem um corpo, e como um corpo, ele é matéria, e como matéria, ele está sujeito às mesmas leis que regem todas as matérias. O Homem é dotado de mobilidade e possibilidade de se aperfeiçoar até certo ponto.

O Homem como um ser racional: O Homem é capaz de conhecer, refletir, raciocinar, emitir juízos, criar culturas, analisar seu passado e de projetar seu futuro, mas não só isso, ele é capaz de conhecer e compreender a si mesmo.

O Homem como ser psíquico: O Homem é o único animal que se difere do grupo, que busca uma personalidade exclusiva, que busca afeto, compreensão, aceitação, auto-respeito e auto-estima.

O Homem como ser social: Todos os animais se juntam e se revoltam entre si, mas só o Homem compartilha fatos de sua existência, projeta realizações futuras e busca o bem comum.

O Homem como um ser político: O Homem busca o bem individual e coletivo e como consequência disso tenta governar com habilidade e gerir o futuro do seu grupo, é uma extensão do ser social.

O Homem como um ser livre: Todos os animais são guiados pelo instinto, o Homem também, mas ele é capaz de raciocinar, de questionar e de refazer seus conceitos, mudando e controlando suas ações.

O Homem como um ser ético: O Homem é o único ser que se encontra entre a realidade fatual (o que é) e a realidade ética (o que deve ser), sempre tentando fazer o que é em o que deveria ser.

O Homem como um ser estético: O Homem é o único ser que tem a capacidade de criar um modelo de belo e ser atraído por este modelo, ele pode criar, inventar e renovar o belo por meio da arte, que nada mais é do que sua forma única de entender o que o cerca.

O Homem como um ser finito: O Homem é o único ser que se compreende como um “ser-para-a-morte” e por isso nunca está satisfeito, sempre buscando seu modelo de perfeição (um ser perfectível) e sempre buscar melhorar-se no tom de completar-se (um ser inacabado).

Rumores de Guerra...

Estava assistindo o Jornal da Globo e fiquei sabendo que a China estava comprando mísseis capazes de derrubar porta-aviões e fiz este poema meio político-social:

Rumores de Guerra

A China está querendo afundar porta-aviões,
A Rússia prepara o seu duvidoso arsenal,
Os Estados Unidos preparam seus canhões,
A Europa teme mais uma Guerra Mundial.

Países emergentes querem mostrar seu poder,
Não querem mais ajudar, nem se excluir,
Querem mostrar, agora, o que podem fazer,
E pra mostrar isso, eles têm que destruir.

Todos eles precisam destruir muitas vidas,
Muitos sonhos, muitos heróis, muitas nações,
Para criar guerra eles precisam destruir razões,
Razões para viver, para não aceitar a despedida.

Enquanto países guerreiam, pessoas morrem,
Sonhos desfalecem e a natureza tenta se rebelar,
Enquanto países guerreiam, nações sofrem,
Amores morrem e a vida tenta não acabar.

Os chineses estão querendo amor e muita paz,
Os russos querem uma inédita felicidade total,
Os americanos querem ser felizes e viver mais,
Os europeus querem esquecer qualquer Guerra Mundial.


Raul Cézar de Albuquerque
29/12/2010



Prioridades...

“Assim fala o SENHOR dos Exércitos: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do Senhor deve ser edificada. Veio, pois, a Palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai o vosso passado” (Ageu 1.2-5)


Considerai o vosso passado... Considerai o vosso passado... O que isso quer dizer?

1) Considerai os vossos caminhos errados (“Arrependei-vos dos vossos maus caminhos”)

2) Considerai o vosso julgamento inevitável (“Tomara fossem eles sábios! Então, entenderiam isto e atentariam para o seu fim” Dt 32.29)

3) Considerai o vosso Salvador Crucificado (“Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo” Hb 12.3a)

4) Considerai o vosso serviço fiel (“Tão-somente, pois, temei ao Senhor e servi-o fielmente de todo o vosso coração” I Sm 12.24)

“Tendes semeado muito e recolhido pouco; comeis, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado. Assim diz o Senhor dos Exércitos: CONSIDERAI O VOSSO PASSADO” Ageu 1.6,7 (ênfase minha).

Sem Deus como prioridade, as prioridades não funcionam nem fazem bem. Um conselho do SENHOR:

“Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; e dela me agradarei e serei glorificado” Ageu 1.8

Só a Tua Palavra...

Estava lendo o meu devocional - sigo o "Nosso Andar Diário e indico - quando li um que falava sobre a Palavra de Deus e sobre o que ela era em relação a nós e compus este poema que acabou por ser uma declaração de amor ao Senhor:

Só a Tua Palavra...

QUANDO DESISTO DA VIDA
E O CAMINHO É ESPINHOSO,
QUANDO VEM A DESPEDIDA
E CAMINHAR JÁ É PERIGOSO.

QUANDO ESTOU PERDIDO
E A NOITE ME TRANSTORNA,
SÓ TE FAÇO UM PEDIDO:
VEM E ME TRANSFORMA.

POIS SÓ A TUA PALAVRA
TRAZ TEU ETERNO CARINHO,
ABENÇOA A CAMINHADA
E É LUZ PRO MEU CAMINHO.

MAS SÓ A TUA PALAVRA
É BEM MAIS DOCE QUE MEL
E ME GUIA NA JORNADA
CUJO ALVO É SÓ O CÉU.

SIM, SÓ A TUA PALAVRA
REVELA-ME QUE TU ÉS
E A CADA PASSADA
É LÂMPADA PROS MEUS PÉS.

POIS SÓ A TUA PALAVRA
VEM E NÃO VOLTA VAZIA,
ANTES, FAZ O QUE TE APRAZ
E AGE EM NÓS A CADA DIA.

SIM, SÓ A TUA PALAVRA
PODE NOS SANTIFICAR
E ASSIM COMO A ÁGUA
PODE NOS PURIFICAR

E SÓ COM A TUA PALAVRA
NÓS PODEMOS ATACAR,
POIS DO ESPÍRITO É A ESPADA
PRA PREVENIR E REVIDAR.

PORQUE SOMENTE A TUA PALAVRA
É ALIMENTO PRO CAMINHANTE,
QUEM PROSSEGUE NA JORNADA,
MAS É LEITE PARA O INICIANTE.

A TUA PALAVRA É UM ESPELHO
QUE REVELA QUEM EU SOU,
E QUE, SEM NENHUM EXAGERO,
SÓ DEPENDO DE TI, SENHOR.


RAUL CÉZAR DE ALBUQUERQUE
20/01/2011

Um Arcaísmo

Estava tentando algumas rimas estranhas e me veio a primeira estrofe deste poema, então o completei, tentei falar do que acredito e do que desejo, não o dedico a ninguém e achei que o título foi bem original:

Um Arcaísmo


Vão passar os tempos,
Vão passar as eras,
Vão morrer os gênios,
Vou chorar deveras.

Vão morrer campinas
Mesmo com primaveras,
Vou olhar lá de cima
E vou chorar deveras.

Mas se tu deixares de ser
Aquela mulher que eras,
Eu vou sofrer
E chorar deveras.

Raul Cézar de Albuquerque
10/01/2011



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

...E o Verbo era Deus...

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus". Isso é o que João diz no versículo um do capítulo um do seu evangelho. Mas por que há o uso da palavra "verbo" não poderia ter sido feita uma analogia mais simples?

Vamos Contextualizar! O evangelho segundo João foi o último a ser escrito, por volta de 92d.C. Foi escrito depois do evangelho segundo Mateus que mostrou Jesus como Messias-Rei, digno do trono de Israel; Foi escrito depois do evangelho segundo Marcos que mostrou Jesus como Messias-Servo, tentando mostrar o maior número possível de milagres; Foi escrito depois do evangelho segundo Lucas que mostrou Jesus como Messias-Homem, mostrando toda a sua biografia; Logo João tentou mostrar Jesus como ele realmente era, como Deus.

No ínicio da Igreja, no final do século I, haviam duas ameaças contra a sua existência: Uma externa e uma interna. A ameaça externa era a perseguição do Império Romano (foi driblada rapidamente), a interna foi o gnosticismo. O gnosticismo foi um movimento herético do século I que era um sincretismo religioso, uma mistura do Cristianismo com a filosofia grega, que dizia que
  • A santidade vinha pelo conhecimento 
  • Deus não criou nada daqui, Ele criou um demiurgo (semideus) que criou tudo, porque Deus é puro e não criou nada impuro (para eles tudo que era carne era impuro).
A ameaça externa seria facilmente driblada, mas a interna... nem tanto. Então, João queria usar uma analogia que dissesse que Cristo era esse tal demiurgo (o elo entre nós e Deus), mas como? O judeu sabia que Deus criou tudo pelo poder da sua palavra ("Disse Deus: Haja luz! e houve luz"), então João disse que Cristo era o logos (que no grego quer dizer, razão de ser. Jesus é a razão de nós sermos!), era a Palavra pelo poder da qual nós fomos criados e resgatados. Cristo é o Verbo, e pra acabar com o gnosticismo ele disse:
"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós."